A simplicidade das formas básicas e as inúmeras possibilidades de junções e transformações são o ponto de partida das peças de Bia Daidone.

Sua paixão pela arquitetura e pelo design aplicado na decoração se traduzem em um trabalho extremamente autoral. Cada peça da designer é única, feita a mão e banhada a ouro.

Os brincos, braceletes , cintos e chokers viraram peças-desejo e já podem ser vistos desfilando por aí nas meninas mais antenadas da cidade.

Convidei a Bia para um bate papo sobre a criação da marca e empreendedorismo no Brasil.

Q.

Bia, você é formada em administração de empresas, me conta como foi a transição para a carreira de designer e empreendedora?

A.

Sempre gostei de moda. Algo além de gostar de me vestir, de escolher roupas, de combinar cores. Sempre gostei de me informar a respeito, de estudar, ler, saber quem é quem. Mas para mim foi um passo muito grande passar a ver isso como uma profissão, um meio de ganhar a vida e ser independente…

Q.

Porque você quis montar sua própria empresa? Tem algum lado ruim de trabalhar prá gente mesmo?

A.

Quando você pensa em produzir, você quer fazer isso de acordo com seus próprios parâmetros. Você cria seu projeto, estuda seus custos, pensa em tudo, em todas as possibilidades e faz de tudo para ir atrás do seu sonho, mas não pode perder o pé na realidade. Nunca. Isso não é nada fácil, mas a gente vai em frente. Quando resolvi montar minha empresa, tive o apoio da minha família e do meu marido, e isso é muito importante.

O lado ruim é que você nunca para de trabalhar porque você é o seu patrão. É preciso ter muita disciplina, ou o patrão te escraviza.

Q.

Na sua opinião qual a maior dificuldade para empreender no Brasil?

A.

O maior problema do Brasil é o tamanho da burocracia. Empreender no Brasil é muito caro, complicado, demorado e é preciso ter coragem e muita paciência.

Q.

De onde vem a sua inspiração? Conta um pouco sobre o seu processo criativo…

A.

Minha inspiração vem de muita observação, leitura, do prazer que tenho com a arte, a arquitetura, o design de certos objetos. Nas minhas viagens observo coisas simples nas ruas, nas casas, na paisagem. Acho que quem trabalha com design em geral vive de observar as coisas.

Q.

As peças são produzidas em seu ateliê? Você conta com uma equipe de colaboradores?

A.

Hoje alguns processos são terceirizados para poder atender a demanda, mas todas as peças passam pela minha mão.

Q.

Você optou por um projeto intimista e hoje atende apenas em seu ateliê com hora marcada.Existem planos para a expansão da marca? O que você acha da plataforma digital para a venda de jóias?

A.

Meu começo foi muito intimista mesmo, e eu gostaria de manter sempre essa característica, independentemente do tamanho que eu um dia tenha.

Vejo a plataforma digital com bons olhos, inclusive pela possibilidade de atingir mercados internacionais, mas ainda não a uso objetivamente, ainda não tenho site de vendas, apesar de usar várias redes para divulgação e contato.

Q.

Como funcionam os lançamentos e coleções?

A.

Eu não trabalho com coleções porque minhas peças são atemporais, não as vejo como peças sazonais.

Prefiro trabalhar com lançamentos de peças independentemente de estações. É sempre bom esperar uma surpresa!

Q.

Agora um pouquinho sobre você… o que você gosta de consumir em termos de arte e moda? Tem alguma marca preferida? Quem são seus designers favoritos?

A.

Gosto de moda limpa, como feita por Céline e Chloé. Sou apaixonada pelo traço de Sottsass, de Miró e de Max Bill. Acho que isso explica muito o meu estilo, não?

Q.

Quando não está trabalhando, por onde anda a Bia?

A.

É muito difícil separar o que eu faço do que eu sou. Quando não estou namorando meu marido, brincando com meus cachorros ou recebendo meus amigos ou minha família, estou lendo e pesquisando. Isto é, acabo no final das contas, trabalhando, mas isso me dá muito prazer.

http://www.biadaidone.com/

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