A fascinante história de Lee Radziwill se mistura à de sua célebre irmã, Jacqueline Kennedy Onassis, e inaugura a sessão inspirational profiles do AirplaneMode.

Nascidas em uma tradicional e rica família americana, as irmãs Bouvier marcaram época. A icônica dupla viveu uma relação conturbada, marcada por uma extenuante rivalidade que as acompanhou até a morte de Jackie, em 1994.

Filhas de John Vernou Bouvier III e Janet Lee Bouvier, Jacqueline e Caroline Lee foram criadas em Manhattan, em um duplex de 12 cômodos em plena 740 Park Avenue, e passavam os verões na propriedade da família no East Hampton.

O pai,também conhecido como “Black Jack“, apelido que fazia referência ao eterno bronzeado e à sua questionável reputação, era um bonitão corretor de ações. Frequentemente confundido com Clark Gable causava furor entre as mulheres. BTW, foram as recorrentes indiscrições, as noitadas de bebedeira e a fortuna decrescente que acabaram colocando fim ao casamento com Janet. Embora seu comportamento como marido fosse reprovável, Jack foi um pai extremamente afetuoso e exigente, o que incitou desde cedo a competição entre as meninas.

Lee amava a irmã mais velha, mas era difícil se equiparar aos feitos de Jackie – que ostentava exemplares notas altas e prêmios de equitação. Não demorou muito para que Lee se desse conta de que o pai favorecia a irmã. Anos mais tarde ela confidenciou em seu livro “Happy Times“, lançado em 2000, que nunca guardou ressentimento. “Entendo suas razões, além de terem o mesmo nome, eles se pareciam muito fisicamente, e isso era motivo de grande orgulho para ele.”

Após um amargo divórcio, quando Jackie e Lee tinham 10 e 7 anos respectivamente, Janet voltou a se casar, dessa vez  com o investidor, e milionário, Hugh D. Auchincloss. Ela se mudou com as filhas para Merrywood, uma propriedade de estilo georgiano com terraço, jardins e vista para o rio Potomac, na Virgínia. Os verões eram passados em Hammersmith Farm, a propriedade de Auchincloss em Rhode Island.

Nessa época a fortuna de Bouvier entrava em declínio, consequência de seus sucessivos maus investimentos, e ele foi viver em um pequeno apartamento, de apenas um quarto, na East 74th Street. Quando as filhas iam visitá-lo elas dormiam em um quarto improvisado na sala de jantar. O revés na vida financeira do pai deixou para as meninas um legado de preocupação e cuidado com a própria segurança financeira que durou a vida toda.

Com o novo casamento da mãe, subitamente Jackie e Lee se viram em meio à uma nova família – Auchincloss tinha 4 filhos do casamento anterior – o que, como era de se esperar, estreitou o elo entre elas. Apesar da proximidade, a rivalidade das irmãs não diminuiu nas novas circunstâncias.

Na adolescência cada uma desenvolveu o seu próprio estilo. Lee, mais magra e elegante que a irmã mais velha, tinha também mais flair. E Jackie percebia como os olhares eram atraídos para a caçula – especialmente dos homens, que admiravam suas feições delicadas e seu corpo mais feminino (Jackie, apesar de linda, tinha pouco busto e uma estrutura óssea maior). Entretanto, uma característica marcante que as irmãs tinham em comum era a maneira de falar, suave, rouca, quase sussurrando.

Em 1951, no auge de seus 18 anos, Lee convenceu a mãe a deixá-la passar o verão na Europa acompanhada de Jackie. A viagem seria seu presente de formatura, mas havia mais uma razão para os pais permitirem a partida das duas, era também um consolo para Jackie depois que sua mãe e o padrasto a fizeram recusar o prêmio Paris Vogue por um artigo que ela havia escrito naquele ano. O prêmio consistia em passar um ano trabalhando nos escritórios da Vogue em Paris e em Nova York.

Naquele verão, carregando as poderosas cartas de apresentação feitas por Auchincloss para os embaixadores de toda Europa e a bordo de um Hillman Minx, as duas fizeram seu debut no velho mundo.

Foi durante essa viagem que Lee conheceu o icônico historiador da arte, Bernard Berenson. Responsável por despertar seu fascínio por arte Renascentista. “Era como estar conhecendo Deus” confidenciou Lee em certa ocasião. Boa parte das aventuras está registrada no livro “One special summer“, um diário da viagem ilustrado com graciosos desenhos e poemas que foi publicado anos mais tarde.

No Outono de 1951, depois de voltar para os Estados Unidos, Jackie arrumou um emprego no Washington Times-Herald. Ganhava $42,50 por semana. Lá teve a oportunidade de entrevistar nomes emblemáticos como Richard Nixon e John F. Kennedy.

Lee se inscreveu na universidade Sarah Lawrence, mas abandonou depois de 3 semestres. Coisas mais interessantes estavam em seu radar. Ela foi trabalhar como assistente de Diana Vreeland, a íconica editora de moda da Harper’s Bazaar.

Em 18 de Abril de 1953, Lee se casou com o tímido e bonitão editor de livros Michael Temple Canfield, que ela conhecia há anos e namorava desde os 15.  O casamento aconteceu na propriedade de Auchincloss, em Merrywood, e foi um Jack Bouvier castigado e invejoso da riqueza de seu sucessor , quem conduziu a noiva ao altar.

Auchincloss tinha dúvidas sobre a escolha de Lee, não apenas pela pouca idade dela mas porque sabia que o noivo nunca poderia bancá-la, como relatado no livro de Diana DuBois, In her sister’s shadow.

Michael havia sido adotado por Cass Canfield, o rico e notável editor da Harper & Row (que anos mais tarde se tornaria a editora dos Kennedy), mas haviam rumores de que ele era o filho ilegítimo do Duque de Kent com Kiki Preston, uma aventureira americana com quem o Duque teria se envolvido no Quênia.

Anos mais tarde Lee confidenciou que uma das razões para ter se casado tão cedo foi querer sair de casa, e também porque Michael além de um homem brilhante, era extremamente bonito.

O casal foi viver em uma pequena cobertura em NY, mas em pouco tempo tiveram que se mudar para Londres. Enviado para trabalhar na filial londrina da Harper & Row, Canfield acabou se aproximando muito do embaixador americano Winthrop Aldrich, virou seu assistente e consequentemente acabou ganhando passe livre na sociedade londrina.

Apesar de Lee ter “passado na frente” da irmã se casando primeiro, não demorou muito para Jackie roubar a cena, apenas 2 meses depois de pegar o bouquet de Lee, Jackie ficou noiva de um dos solteiros mais cobiçados dos Estados Unidos, o audacioso futuro senador de Massachusetts, John F. Kennedy. Ele não era apenas bonito, espirituoso e inteligente, mas também extremamente rico.

O casamento, que aconteceu em 12 de Setembro de 1953, foi noticiado pela imprensa como “o evento social do ano”. A recepção de gala, organizada por Janet, aconteceu em Newport. Jack Bouvier foi convidado mas após anos de decepções e declínio não era mais uma figura arrojada e marcante, e no dia do casamento se embebedou com uma garrafa de scotch em seu quarto de hotel, perdendo a oportunidade de conduzir a filha preferida ao altar. Tal honra foi concedida à Auchincloss.

Em Londres, Lee levava uma extraordinária e agitada vida social, mas seu casamento não ia bem. O problema de Canfield com a bebida e as tentativas frustadas de engravidar abalaram o relacionamento. Quando Jackie visitou a irmã em Londres e Canfield a perguntou sobre como ele poderia segurar Lee, Jackie respondeu, “Com mais dinheiro, Michael“. E quando ele respondeu que tinha um bom salário, Jackie rebateu, ” Não, Michael, eu quero dizer dinheiro de verdade.” Mas o que realmente colocou ponto final ao casamento foi o affair de Lee com o aristocrata Stanislaw “Stas” Radziwill.

A família de Radziwill, de origem polonesa, havia empobrecido devido as invasões alemãs e Stas fugiu para Londres no final da segunda guerra mundial. Aparentemente sem um centavo, só podia contar com seu charme, seu título (príncipe) e sua esperteza. Casou-se com uma herdeira suíça e acabou fazendo fortuna no mercado imobiliário.

De grande coração, embora às vezes impetuoso, era muito apreciado em Londres. Quando Lee o conheceu ele já estava em seu segundo casamento, com outra herdeira, Grace Kolin.

A relação com Stas permitiu que Lee florescesse. A vida que levava era digna de causar inveja até em Jackie, se dividindo entre a belíssima casa nos arredores do Palácio de Buckingham e a Turville Grange, propriedade há apenas uma hora de Londres. Ambas decoradas com maestria por ela em parceria com designer Renzo Mongiardino. Lee e Stas tiveram seu primeiro filho, Anthony, menos de um ano após o casamento.

Jackie tinha apenas 31 anos quando se mudou para a Casa Branca para tornar-se primeira-dama. E, segundo ela, foi aonde viveu seus anos mais felizes. Kennedy sempre se mostrou orgulhoso da esposa e da cunhada. Seus olhos brilhavam quando falava de Jackie, e segundo os diários do fotógrafo Cecil Beaton, ele uma vez disse à Lee “Eu a amo profundamente e fiz tudo por ela. Não tenho medo de decepcioná-la porque eu a coloquei em primeiro lugar na maior parte das vezes“. Por quase 6 décadas, Lee se manteve discreta sobre a longa lista de affairs do cunhado, que inclui nomes como Marilyn Monroe, Marlene Dietrich e Judith Campbell Exner.

Lee e Stas não compareceram à posse de Jack, para desapontamento da família Kennedy. O motivo pelo qual os Radziwill preferiram ficaram em Londres teria sido o nascimento prematuro do segundo filho do casal, Anna Christina “Tina” Radziwill, que havia deixado tanto mãe como filha com a saúde debilitada. Segundo o livro “The Bouviers”, de John H. Davis, haveriam outras razões, a ascensão de Jackie à Casa Branca teria sido difícil para Lee, que teria se ressentido frente à proeminência da irmã.

Apesar de tudo, os 2 anos e meio dos Kennedy na Casa Branca acabaram por aproximar as irmãs. Sobrecarregada pelo novo status e responsabilidades, Jackie buscou pelo apoio de Lee. “Ela tinha que viajar muito e gostava de me ter por perto“, lembrou Lee no livro “Happy Times“.”Apesar de nosso afeto mútuo, acredito que nosso laço mais forte era o nosso senso de humor parecido“. Lee e Stas visitavam a Casa Branca com frequência, e os casais passaram 3 felizes natais em família.

Em certa ocasião em um jantar na Casa Branca oferecido para os Radziwill ambas as irmãs deslumbraram os convidados. Jackie vestida de branco e Lee, quase a ofuscando em vermelho. Jackie tinha a irmã como referencia e sempre pedia conselhos a ela sobre o que vestir. Lee por sua vez era mais ousada e tinha um gosto mais “europeu” . Adorava o designer  francês Courregès  e em diversas ocasiões “contrabandeou” vestidos Givenchy para a Casa Branca, uma vez que o presidente queria que Jackie usasse apenas designers americanos.  Lee foi a primeira a ser vestida por uma maison de alta costura parisiense, não Jackie.

Mrs. Vreeland disse uma vez que “Jackie lançou estilo nos Estados Unidos, mas sempre teve assistência e tutores, já Lee fez tudo sozinha. Ela entende as roupas. Lee poderia colocar um casaco e sua maneira de virar os ombros, cabeça e braços fariam daquele casaco a perfeição.

Mas foi o espetacular sucesso de Jackie na viagem à Paris em 1961, que transformou-a, e não Lee, em uma international fashion icon. A revista Time batizou Jackie como “a primeira dama da moda”. O que a maioria não sabe é que na verdade, Lee havia sido instrumental, foi ela a responsável por selecionar as peças (todas Givenchy) que compuseram o guarda-roupa de Jackie para esse momento.

A mesma história se repetiu durante a épica visita das irmãs à Índia e ao Paquistão em Março de 1962, quando mais de 100.000 pessoas se alinharam para ver a carreata de Jackie passar pelas ruas de Nova Delhi. Enquanto Lee sentava silenciosamente ao seu lado.

O foco das atenções estava sempre voltado para Jackie, que estava se tornando a mulher mais fotografada do mundo. Segundo os diários de Cecil Beaton, de 1968, “Ela era a mulher infinitamente mais fotogênica do mundo, até mais que sua infinitamente mais bonita irmã, Lee Radziwill“.

O que Jackie não sabia naquele momento era que o casamento de Lee estava desintegrando. Stas tinha outras amantes embora continuasse devoto a Lee e permitindo suas extravagancias. De acordo com DuBois, ele uma vez confidenciou a um amigo, “Ela é tão pequena mas é ultrajante o quanto custa vestí-la”.

Foi nessa época que Lee acabou aproximando-se do magnata grego, Aristóteles Onassis. Quando perguntada se alguma vez havia pensado em casar-se com ele, ela respondeu “Quem não pensou?

Quando se conheceram Onassis ainda estava envolvido com a cantora de ópera e diva Maria Callas, que por claras razões nunca suportou Lee.

Muitos especularam que o interesse de Onassis em Lee cresceu devido a sua conexão com a Casa Branca. Jack e Robert Kennedy claramente nunca gostaram dele. No verão de 63 a amizade de Onassis e Lee começou a chamar a atenção e o Washigton Post chegou a publicar a seguinte manchete “Será que o ambicioso magnata grego deseja se tornar cunhado do presidente americano?” .

Bobby Kennedy considerou o relacionamento de Lee e Onassis como uma traição a toda família, e foi dele a ideia de convidá-la para acompanhar Jack no tour europeu pela Grã-Bretanha, Itália, Alemanha e Irlanda. Jackie então grávida de 7 meses, e já tendo sofrido um aborto, não queria se arriscar acompanhando o marido na viagem. O propósito de Bobby era claro, afastar Lee de Onassis. Respeitando o desejo dos Kennedy, Lee partiu com Jack.  Mais tarde retornou à Londres e à Grécia, e supostamente colocou um ponto final em seu relacionamento com Onassis.

Em Agosto de 1963, Jackie deu a luz a Patrick, que faleceu 39 horas após o nascimento. Lee recebeu a notícia enquanto cruzava o mar Egeu ao lado de Onassis. Ela voou para Boston para apoiar a irmã no funeral. Jackie estava devastada, despertando preocupação em Lee, que impeliu Onassis a convidá-la abordo do Christina, o famoso yacht de 325 pés.

Preocupado com as aparências, Kennedy chegou a pedir para que Jackie não fizesse a viagem, mas ela estava determinada a ir. O que muitos não sabiam é que ela só foi permitida a embarcar como uma tentativa de dissuadir Lee de casar-se com Onassis.

Onassis deixou as irmãs sozinhas boa parte da viagem, permitindo que elas trocassem confidências. Ele, por sua vez, passava a maior parte do tempo em seu própria cabine em ligações de trabalho.

4 semanas depois, Jackie deixou o cruzeiro, descansada e recuperada. Como presente de despedida Onassis presenteou Jackie com um colar de diamantes e rubis, e para Lee 3 pulseiras de diamantes. Lee escreveu ao cunhado que “os rubis de Jackie ofuscaram suas ínfimas pulseiras”.

Quando o presidente Kennedy foi assassinado, em Novembro de 1963, Lee estava em sua casa, no numero 4 da Buckingham Place, em Londres. Ela voou imediatamente para Washington e ficou na Casa Branca até após o funeral. Mas mais tarde Lee confidenciou a Cecil Beaton que ela “atravessou o inferno” tentando ajudar a irmã. “Ela é uma pessoa difícil, não dorme a noite, não para de pensar em si mesma e não sente nada além de pena por si própria!

Aos pouco Jackie tentou colocar a vida em ordem, protegendo seus filhos e trabalhando para manter a reputação da breve presidência do marido. Com o fim da “era Kennedy” era o momento de Lee brilhar.  “Havia tantas coisas que eu não podia fazer quando meu cunhado era presidente. Finalmente, sou livre.“, confidenciou.

Em 1964, Jackie comprou um apartamento no numero 1040 da Fifth Avenue,próximo ao Metropolitan Museum of Art. Robert Kennedy persuadiu Stas a comprar para Lee um duplex no numero 969 da Fifth Avenue, com vista para o Central Park, assim ela estaria mais perto de Jackie e as crianças poderiam passar mais tempo junto aos primos.

Lee novamente recorreu à Renzo Mongiardino e transformaram o decadente duplex, no apartamento mais bonito de Nova York.

Nesse período ela começou a escrever artigos sobre moda e cultura para a Ladie’s Home Journal. E ficou amiga de Truman Capote, o misterioso e atrevido escritor.

Truman se apaixonou por mim“, “ele achava que não havia nada que eu não pudesse fazer, e que eu deveria fazer teatro, que seria a perfeita Tracy Lord” a heroína de The Philadelphia Story de Philip Barry, o papel interpretado pela famosa Katherine Hepburn. “Ele estava convencido de que eu podia fazer aquilo.”

Stas era violentamente contra a ida de Lee aos palcos. Ele dizia “Você tem uma vida perfeita. Porque quer sair e ser criticada? Ela respondeu “Porque eu sempre quis fazer isso.”

Mesmo usando seu nome de solteira nos créditos, e não princesa Radziwill, a temporada de 4 semanas esgotou e na primeira noite apesar da plateia estar repleta de ricos e famosos, a ausência de Jackie foi notada.

Dizem que a viagem da ex-primeira dama coincidindo com debut de Lee nos palcos foi a maneira educada de Jackie repreender a ousadia da irmã. Estaria ela com inveja? Uma vez ela confidenciou ao escritor Gore Vidal que adoraria atuar e perguntou se era tarde para isso. Ela chegou a pensar em fazer um teste em um estúdio, mas os Kennedy não permitiriam.

Jackie se tornou uma movie star a sua maneira, como mais tarde observou Vidal: “ Uma estrela silenciosa de filmes não feitos, seu rosto em todas as capas de revista até o final.” Independente de seus reais sentimentos, Jackie enviou uma mauve box para Lee na noite de estreia desejando-lhe boa sorte.

Quando a cortina subiu Lee paralisou. Ela lembra que a primeira cena era de sua personagem tentando escrever uma carta, e que ela não conseguia mover as mãos.  Embora estivesse lindíssima em um vestido Saint Laurent – e a audiência vibrasse a cada troca de figurino – sua atuação não convenceu.

Mais tarde ela disse a uma colunista de Hollywood que era uma tarefa muito difícil para uma pessoa criada no mundo dela aprender a demonstrar emoções. Que desde cedo eles aprendiam a não tornar públicos os sentimentos.

Apesar da maior parte das críticas terem sido negativas, o público adorou, e não se falava em outra coisa senão as roupas usadas por Lee.

A revista Life estampou na capa uma Lee radiante, sorridente e no auge de seus 34 anos, com o título “A princesa sobe ao palco”. E Diana Vreeland descolou uma matéria de 10 páginas na September issue da Vogue.

Lee também participou de um filme para a TV atendendo à insistência de Truman.  A audiência foi enorme, assim como as críticas. Alguns dizem que a urgência em colocá-la em papéis principais, mesmo não estando preparada, era uma evidência dos sentimentos conflituosos dele por ela. Como não podia suportar a paixão não correspondida, ele tinha que ferí-la de alguma forma.

Lee recebeu outros convites para atuar em peças e filmes, mas bastava para Stas . Ele disse que ela nunca mais veria os filhos se aceitasse. Ela não aceitou.

Quando perguntada se ela quis ser atriz para ser mais famosa que a irmã, ela disse que fez aquilo para ser quem ela era, em uma maneira que nunca haviam permitido, se quisesse fama haveria muitas outras maneiras mais fáceis de conseguir.

Era 4 manhã em Nova York, em Junho de 1968, e Bobby Kennedy tinha acabado de ganhar as primárias para presidente pelo partido democrático na Califórnia, quando o telefone tocou no quarto de Jackie.

Para o choque e consternação do mundo, Robert Kennedy de apenas 42 anos tinha sido baleado na cozinha do Hotel Ambassador em Los Angeles. Mais uma vez Jackie mergulhava em sofrimento, e agora temia pela segurança dos filhos.

4 meses depois, em Outubro de 68, Jackie se casaria com Aristóteles Onassis. Ela não havia contado à irmã sobre o secreto noivado. “Onassis me contou“,lembra Lee. “Ele me implorou para ir ao casamento“. Lee ficou devastada. Entretanto não demonstrou sua insatisfação e declarou a imprensa que estava muito feliz de ter sido a origem desse casamento, que certamente traria a felicidade que sua irmã merecia. Foi um golpe que abalou o relacionamento das irmãs para sempre.

Para aqueles que se chocaram por Jackie ter trocado o legado de viúva da América para se casar com um dos homens mais ricos do mundo, e cuja reputação não era das melhores, dizem que Aristóteles era extremamente charmoso e inteligente, que tinha profundo conhecimento da mitologia grega e da natureza humana. E que era muito mais charmoso e espirituoso que Jackie. Na Europa a pergunta que circulava era “o que será que ele viu nela?

O que ele viu em Jackie foi o troféu final – ela era mundialmente famosa, muito mais que Lee e Callas – enobrecida por sua trágica história de vida.

Ao se casar novamente Jackie abriria mão de sua fortuna, herança dos Kennedy, portanto ela requisitou a ajuda de seu representante, o investidor parisiense Andre Meyer, que negociou diretamente com Onassis um dote de 3 milhões de dólares em cash, mais 1 milhão em fundos para cada filho e 200 mil por ano para ela em caso de divórcio ou da morte dele. Eles se casaram em Skorpios, a ilha particular de Onassis, em uma cerimônia grego-ortodoxa. Lee foi ao casamento.

Jackie e as crianças estavam protegidas naquele paraíso banhado de sol, porém ela e seu novo marido pouco tinham em comum.  Aristóteles basicamente casou-se com Jackie para exibí-la, coisa que ela não permitia. Ele por fim se entediou, e aparentemente um mês após o casamento voltou a relacionar-se com Callas.

Em Skorpios Lee conheceu Peter Bears, um fotógrafo bonitão e aventureiro. Ele tinha o estilo dos Kennedy, charmoso e sedutor. Era amigo de Jackie e, pasmem, de Stas. O affair acabou por colocar um ponto final no já falido casamento de Lee e Stas.

O casal foi viver no apartamento de Lee em Manhattan, e ela alugou para eles uma casa em Montauk que pertencia a Andy Warhol e ao diretor de cinema Paul Morrissey. Peter foi o responsável por apresentar Lee ao círculo de Warhol. Jackie era tão encantada por Peter quanto Lee. As irmãs continuavam assombrando a vida amorosa uma da outra.

Lee se jogou nos liberais anos 70 com vivacidade. Estampou a capa da revista Interview, de Warhol, e recebeu Mick Jagger na casa de Montauk. Acompanhada por Peter Beard, ela se juntou aos Rolling Stones na turnê americana de 1972.

O divórcio de Lee e Stas só saiu em 1974. E dizem que ele ficou de coração partido.

No ano seguinte Onassis pediu o divórcio à Jackie, e antes que o processo fosse finalizado, em Março de 1975 ele faleceu em Paris. Seu corpo foi enterrado em Skorpios.

Jackie estava em NY quando Onassis faleceu. Demoraria quase 2 anos até que o acordo de 20 milhões de dólares fosse assinado pela  filha de Onassis, Christina.

Em Junho de 1976, aos 62 anos, Stas Radziwill morreu de um ataque do coração durante um fim de semana em Essex, na Inglaterra. Após a sua morte, ficou-se sabendo que suas propriedades estavam falidas, e não havia nenhuma herança para os filhos.

Lee se envolveu em outros relacionamentos mas só voltou a se casar, pela terceira vez, em 1988. Dessa vez com o cineasta Herbert Ross (aka Footloose e Flores de aço).

Nascido no Brooklyn, Ross que havia iniciado sua carreira profissional como bailarino e coreógrafo, era espirituoso, comunicativo e caloroso. Apesar de backgrounds completamente diferentes, e que muitos acreditassem que Ross fosse bissexual, Lee encontrou nele segurança e amor. Nas fotografias dos dois juntos ela sempre aparece radiante e feliz.

No inicio de 1994, Jackie com então 64 anos, foi diagnosticada com câncer linfático, que em poucos meses se espalhou para o fígado,medula e cérebro. Ela faleceu em Maio do mesmo ano, em casa, na companhia da família. Em seu leito de morte ela orientou os filhos a venderem todos os bens. O leilão realizado na Sotheby’s em 1996 arrecadou mais de 34 milhões de dólares.

Logo que soube da doença de Jackie, Lee correu para o lado da irmã. E sua morte a deixou inconsolável.

Mas Jackie ainda deixaria uma reprovação final à irmã, em seu testamento excluiu Lee, dizendo que já a havia ajudado muito durante a vida. Fato que magoou profundamente Lee.

Ainda em 1994, o filho de Lee, Anthony casou-se com Carole Ann DiFalco. Eles se conheceram quando ambos eram produtores na ABC News em NY e viveram um romance de conto de fadas, mas em uma reviravolta cruel do destino acabaram passando os 5 anos de casamento lidando com o câncer de Anthony, entre múltiplas cirurgias e tratamentos agonizantes.

Em Julho de 99, John Kennedy Jr, sua bela esposa, Carolyn Bessette Kennedy e a irmã dela, Lauren Bessette, morreram em um acidente aéreo. Pouco depois, o filho de Lee e Stas, Anthony sucumbiu ao câncer. O casamento de Lee e Ross não sobreviveu e eles se divorciaram em 2001. Apesar de tudo, Lee Bouvier Canfield Radziwill Ross,aguentou firme. Talvez esse tenha sido seu maior presente no final das contas, ter sobrevivido, e ter sobrevivido com coragem e graciosidade.

*Lee completou 85 anos em Março e vive entre NY e Paris.

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